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Tic...tac...

Sabe quando no meio do dia você lembra de algo de muito tempo atrás... 
é como se alguém apertasse o botão do pause e, embora a vida segue, o silêncio soa mais alto. 
Sabe quando esta lembrança te paralisa de forma tão imediata que, tudo, absolutamente tudo perde o sentido repentinamente....
Sabe quando seus olhos se inundam, te falta o ar, some sua voz... assim no meio do dia, ou em uma noite vazia e tudo aquilo que você faz questão de deixar adormecido explode dentro de você. 
A foto na estante é tão vazia que você não consegue olhar pra ela e todas as lembranças do que foi e do que poderia ter sido explodem em um caleidoscópio em sua mente... 
Você não consegue mais olhar as fotos... 
e as lágrimas caem pesadas dos seus olhos porque você não consegue as conter. 
E você lembra e relembra 
e cada nota da canção que insiste em tocar é o tom da voz que não sabe mais como ouvir...
E você lembra... 
perdendo todos os seus passos sem rumo em um horizonte que não reflete mais a direção do seu olhar...
Então você se da conta que se passou tanto tempo... 
tanto tempo que a saudade já é parte de você, como um parasita que te consome silenciosamente enquanto você tenta seguir em frente... 
Mas como você pode ir em frente, se a luz que brilhava em seu caminho se apagou?
Você se questiona, você se desespera 
olhando em volta e percebendo que todos os dias você acorda e decide por acreditar que nada aconteceu... 
e que essa distância é só questão de tempo.
Mas o tempo passa, e passa... 
alguns anos vão ficando para trás e você se desespera mais uma vez, 
mais outra e de novo, 
porque a saudade, em alguns momentos, é tão intensa que se resume unicamente em desespero, silencioso e contínuo, 
para no outro dia você acordar novamente com o sorriso enferrujado e ir... 
não se sabe mais aonde.
Sabe quando você olha pela janela, em um fim de noite de abril, em que há uma brisa selvagem invadindo seu quarto, e você sente um nó em sua garganta sufocando e tirando sua voz... 
talvez você até tente gritar, só para ter certeza que ainda é capaz, ou que alguém ainda pode te ouvir...
mas não adianta, você só quer o silêncio e a solidão que você alimenta. 
Sabe quando a tatuagem sobre sua pele arde... 
arde de forma tão cruel te lembrando da promessa que fizeste diante de um corpo inerte de nunca, nem por um dia esquecer... 
nem por um dia... 
Você se questiona... 
você tentou tantas vezes entender... 
Sabe quando você não quer dizer adeus, mas revive a despedida, 
quando você sabe que o céu está limpo, sem nuvens, mas, por mais que você olhe e procure, está também sem estrelas... 
vazio, sombrio e distante... 
e você revive a despedida mais uma vez, 
e outra... 
porque você sabe, se passou tanto tempo e mesmo assim você ainda quer descobrir que foi só um pesadelo que você tenta acordar dia após dia... 
você só quer acordar... 
nem que seja só por um minuto 
e o tempo continua passando... 
tic... tac...

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Sobre coisas que eu não queria dizer

Sobre coisas que eu não queria dizer
Não sei quantas vezes evitei e adiei falar sobre esse assunto, sei que foram várias. Entre os motivos, por, principalmente, saber que uma parte de mim seria exposta de uma maneira inevitável. Assim como já pensei, várias vezes, em discorrer sobre isso...

Enquanto as palavras surgiam em minha mente, um diálogo rolava quente atrás de mim. Havia me retirado da conversa, incomodada de mais para dizer qualquer coisa. Meu incomodo não vinha das palavras infelizes que a garota insistia em repetir, mas de uma auto análise crítica e inegável que martelava intensamente em minha mente. Eu já fui assim! Insistia meu pensamento de forma vergonhosa e precisa. Tive nojo. Tive nojo da menina, mas tive mais nojo de mim mesma. Como eu ousei?

Não sei dizer como começou a discussão, mas em algum momento a garota estava criticando de forma concisa o sistemas de cotas para os negros, o sistema do bolsa família, a abordagem ao racismo e à violência sexual, principalmente, feminina, a abordagem à homofobia, a intolerância religiosa... No primeiro momento eu pensei em argumentar, no momento seguinte eu não conseguia mais ouvi-la. Enquanto ela falava eu fazia cálculos temporais complexos em minha mente, analisando o que levava-a falar assim. Mas não foi a analise dela que me chocou, foi a minha própria.

Apesar de minhas origens eu mantinha o mesmo discurso sem fundamento, impreciso e, sinceramente, irritante que a garota. Me lembro dos meus quinze anos quando achava um absurdo o sistema de cotas. Não concordava porque o negro teria exclusividade sobre um branco se ambos podiam estudar e mostrar sua capacidade. Ao ouvi-la, me vi falando: "eu não sou racista, até tenho amigos negros". Defendia a "igualdade" de competição. Me lembro, aos dezessete que eu não gostava (e era não gostar mesmo) de homossexuais. Achava que todos eles iriam para o 'inferno' e pior, que mereciam isso, exceto aqueles que eram da minha família e me davam presentes de vez em quando, esses "iam para o céu" porque eram bons. Me lembro de defender a PL122 quando ela saiu... (preciso de um minuto de silêncio pela minha moral). Me lembro, ouvindo a mim mesma claramente nas palavras da menina, de chamar os beneficiados do bolsa família de "vagabundos" e "preguiçosos". De criticar o auxílio reclusão e de achar que, se uma mulher saísse à rua com uma roupa curta ou decotada ela "estava pedindo" para ser violentada. Me lembro de achar que se uma mulher apanhasse do marido ou do namorado e continuasse com ele, é porque merecia aquilo.

Enquanto ouvia todas essas afirmações eu pensava em quantas vezes falei isso para alguém. Em quantas vezes eu escrevi sobre algum desses assuntos nas redes sociais. Não me lembro de todas as pessoas que me ouviram/leram, mas devo um pedido de desculpas a todas elas. Devo um pedido de desculpas, principalmente porque eu, muitas vezes, me achava a 'fodona' que deixava meu interlocutor em silêncio com meus "argumentos". Que vergonha! Eles só se calaram por preguiça de conversar com a pessoa ignorante e retardada que eu era.

Eu mudei, sim. Eu me informei. Eu pesquisei. Eu estava errada o tempo todo. Meu eu de hoje, embora continue com muitos erros e opiniões questionáveis, não aguentaria cinco minutos de conversa com meu eu de uns cinco anos atrás. Assim como eu não aguentei manter a conversa com a menina que insistia em vomitar sua opinião sobre tudo, sem ninguém ao menos estar pedindo.

Às vezes é difícil confrontar a nós mesmos. É o confronto mais doloroso que existe. Quebrar conceitos, mudar de opiniões, admitir que estava errado. Ainda estou longe de me olhar no espelho e sentir orgulho, muito longe disso, mas já me sinto melhor em desatar os nós e quebrar os paradigmas que me mantiam na redoma de 'não se pode mudar'. Mudar é preciso e tem que ser constante.
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Sobre vizinhos inconvenientes, promessas de ano novo e eleições municipais

Sobre vizinhos inconvenientes, promessas de ano novo e eleições municipais
Oito horas da manhã, primeiro sábado do ano, e uma música sertaneja entrando pela janela, aos berros. E eu odeio sertanejo... quem não tem um vizinho inconveniente que atire a primeira pedra. Assim segue meu final de semana, lutando com meus instintos e, algumas vezes, imaginando de várias formas como um acidente no quinto andar mudaria tudo... é, eu ainda não quis matar o cara, mas até consideraria crer em uns exu's da vida se aquela caixa de som explodisse misteriosamente.

Penso que sempre há alguém que nos incomoda, de uma forma ou de outra. Assim como, com certeza, incomodamos alguém, mas algumas pessoas simplesmente passam dos limites. Poxa! Eu nem gosto de sertanejo... O vizinho acorda cedo e liga o som em um condomínio com cerca de setenta famílias, quanta gente ele não incomoda? E, não sei se por personalidade ou por ser um cara chato mesmo, ele nem se toca que o volume não está só alto, está gritante, além de, a maioria das coisas que ele ouve, não deveria ser ouvidas por crianças (nem por ninguém). Para minimizar fechamos as janelas abafando o som do lado de fora e o clima do lado de dentro. 

Assim como meu vizinho, há milhares de pessoas inconvenientes que não respeitam o espaço dos outros. Acontece o tempo todo, nos condomínios, no supermercado, nos ônibus, no trânsito...Todo mundo quer o seu direito respeitado, mas a coisa toda muda quando se trata dos direitos dos outros. Poucos são os que se colocam na pele do outro e toma atitudes pensando nisso. E isso não é hipocrisia? É sim! Como diz aquele velho ditado: "Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você". Já pensou como a vida seria noventa por cento mais simples se colocássemos em prática, um, apenas um ditado popular? Seria lindo, mas a realidade é bem diferente.

Na última semana meu Facebook está povoado de mensagens, felicitações e promessas para o novo ano. 2016! Quem diria... todos querem um novo ano, com novas conquistas, com novos resultados, mas foram bem poucos os que vi querer mudar de atitude. Bem poucos mesmo. Como esperar resultados diferentes se os caminhos são os mesmos? Não é um pouco retórico isso? Quando é que nós, seres humanos vamos perceber que o problema é todo nosso e que fingir o contrário não muda nada? 

2015 foi um ano tenso para nosso país. Crise econômica, escândalos políticos, desastres, crimes, mais crise econômica... a maioria das pessoas passou por isso tentando achar um culpado. Falando mal deste ou daquele, mas na primeira oportunidade, ficou com o troco errado do trocador que confundiu a nota de vinte com a de cinquenta. Fingiu que estava dormindo pra não dar lugar à senhora com a criança no colo. Na primeira oportunidade espalhou mentiras sobre uma figura pública sem checar as fontes, compartilhou um vídeo exibindo a vida íntima de alguém ou ficou fazendo trabalho de faculdade no horário de serviço... não sei quem nos deu o direito de julgar uma pessoa, seja ela quem for, se não estamos idôneos em nossas próprias atitudes. "Ah, mas eu não prejudiquei ninguém"... é a desculpa mais fajuta que já ouvi. As pessoas por si só são inconvenientes, de uma forma ou de outra, assim como meu vizinho sem noção. 

É claro que não estou generalizando. Não posso dizer por todo mundo e nem por alguém em específico. O que pontuo aqui é que não adianta querer mudar o mundo se não mudar a si próprio e que pequenas, as menores atitudes possíveis, já seria um bom começo para desmantelar essa corrente de ignorância, intolerância e inconveniência que tem dominado as pessoas. Informação não mata ninguém, porque as pessoas não entendem isso de uma vez e muda a direção dessa aniquilação em massa, agora pela mídia virtual? 

Neste ano teremos eleições municipais, será que alguém se lembra disso? Estas ocorreram somente em outubro então, presumo que ainda dê tempo de conhecer as necessidades do seu bairro, da sua cidade. Da tempo de avaliar bem e com cautela os possíveis candidatos e começar, no marco zero a mudar a história política dessa nação, pois é evidente que o país inteiro precisa de mudança. Ninguém aguenta mais ser explorado, pagar altos impostos, trabalhar várias horas por dia sem valorização. Ninguém aguenta mais viver no limite da pobreza enquanto somos roubados descaradamente. Que essas eleições seja o ponto de partida para um novo começo e uma nova forma de mostrar a indignação e revolta com a corrupção porque, afinal de contas, postagens no Facebook sem fundamentos não muda nada.
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Onde deveria estar

Onde deveria estar
Quando resolvi pegar um pedaço de papel e uma caneta, percebi o quanto de mim mudou. Parece que foi ontem, as palavras surgiam automaticamente formando ideias desenhadas nas páginas em branco, hoje a maioria delas continuam vazias, esperando... implorando por um pouco de atenção. A vida nos rouba o tempo e isso é irônico.
E não é menos irônico perceber que uma das poucas coisas que podia sentir orgulho, que era a capacidade de criar mundos paralelos em qualquer situação, já não faz parte do meu cotidiano. É quase uma afronta, algumas poucas linhas são capazes de sugar toda a minha imaginação.
Eu não sei dizer, ao certo, quando foi que me tornei "silêncio". Hoje eu olho em minha volta e tudo que sou capaz de ver é uma selva de pedras, empoeirada e barulhenta, com suas pessoas correndo atônitas de um lado para o outro e ainda faço parte dessa massa navegando em uma correnteza que não leva à lugar algum.
Depois de algum tempo a gente percebe que falar de mais incomoda, na verdade ninguém quer ouvir, ninguém tem tempo para relações sinceras e incondicionais. Quando uma pessoa pergunta "Como foi seu dia?" ela simplesmente está querendo te lembrar de que ainda não é hora de tirar a máscara que você carregou o dia todo, restrinja-se a dizer "bem" e não renda assunto.
É, aquela sensação antiga de que o mundo está vazio ainda é dominante, mesmo ela ficando quieta, sem doer, sem alarde. Se eu olho um pouco além dos prédios altos, pela janela, existe apenas um horizonte sombrio e, agora, sem interesse. Não adiantou de nada quebrar algumas grades, os muros são de concreto e aço.
Como seres humanos procuramos mudanças constantemente. Parece ser de nossa natureza não nos conformar ou, ao menos, aproveitar o momento. Estamos sempre em busca de algo mais. Como seres humanos nunca estamos satisfeitos e, quando alcançamos algum nível, nos lembramos saudosamente de um período anterior, com notas mais simples e cores mais leves.
As vezes, ou quase sempre, eu sinto falta do que já fui um dia. Sinto falta de sorrir sem motivo, de cantar uma canção aos gritos, de caminhar descalço sentindo o chão sob meus pés. E não é só falta, por si só, mas uma mistura com um sentimento de que eu peguei algum caminho errado nas bifurcações da vida. Pode ser que haja um mundo paralelo onde eu deveria estar e as vezes, só as vezes mesmo, eu queria voltar e pegar a estrada certa.
Talvez seja apenas eu que ainda olho além, não vejo mais ninguém ousando a olhar na mesma direção que eu e, por isso, é mais certo que eu esteja mesmo buscando a direção errada. Talvez eu queira mesmo sentir  um calor que queima, ter uma conversa que vai além do "como foi seu dia", mas não estou dizendo que isso é o certo. Talvez eu prefira ter um sorriso no rosto ao invés de tê-lo na foto do perfil do facebook, mas isso soa como dramaturgia, nem faz tanto sentido. Mas é que, mesmo pra mim, que sempre vivi naquele mundo paralelo, com meus personagens, sonhos e fantasias, sozinha, não consigo entender a relação de egoísmo, superficial e frágil que a humanidade se curva, vivendo uma realidade superficial de exibicionismo em uma página da internet.
Eu já cresci o suficiente para desacreditar no impossível. Alias, desacreditei de muita coisa, mas tem dias que eu só queria ter acordado há quinze, vinte anos e percebido que estava tudo onde deveria estar...
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Sobre crianças que usam facebook

Sobre crianças que usam facebook
Outro dia, eu li uma reportagem falando sobre uma criança de dez anos que fôra exposta à uma situação constrangedora. Por sorte, ela não fôra aliciada, mas teve sua inocência invadida por um “coleguinha” um pouco mais velho que a convidava a ir na sua casa, com propostas, evidentemente, mal intencionadas. Por sorte também a garota perguntou à mãe se poderia ir, e contou que o colega havia lhe chamado no facebook.
A mãe dessa criança de classe média é uma trabalhadora, com outros três filhos menores, que tem de cuidar sozinha e precisa de entreter a criançada. Na casa possui internet e um computador de segunda mão, além do celular da jovenzinha, ganhado de natal por ser uma boa garota e ajudar nas tarefas de casa.
A criança tem hábitos caseiros, chega em casa e já pega o celular para conversar com as amiguinhas no whatsapp e curtir coisas no “feice”. Ela não gosta de televisão, não fica na rua e isso já é algo bom.
Ou nem tanto.
A mãe, que informou que os filhos mais novos (de oito e sete anos - o bebê de dois já seria demais, né) também já possui uma conta na rede social, disse que permite os filhos navegarem na internet e não fica “vasculhando” por achar que eles têm direito à privacidade, mas às vezes pede a filha o celular e dá uma olhada no que as crianças tanto fazem diante da telinha. Ela afirma que sempre “se gabou” por não ter que buscar os filhos na rua, que eles estão em casa.
Após o convite do garoto a mãe olhou com mais cautela a conta no facebook da menina. Inúmeros contatos desconhecidos, apesar de não haver nada incrimidador, a garota participava de grupos que falavam de coisas de adultos, com humor de adulto e adicionava adultos que ela (a mãe) nunca viu como amigos. O susto foi grande quando viu várias fotos da sua filha com maquiagem mal passadas e roupas curtas, até mesmo para uma criança.
“Todo mundo tem ‘feice’, whatsapp e celular” foi o argumento da pequena quando a mãe confiscou o aparelho e chamou um amigo para bloquear, não só a rede social, mas vários outros conteúdos que os filhos estavam expostos. Eles teriam que encontrar outra forma de diversão.
Algo que me chamou atenção na reportagem foram os comentários. Muitos culpavam a mãe, mas grande parte a julgou por ter tirado os filhos desse meio, apontando-lhe um caminho mais “fácil” para manter os filhos na linha e em casa ao mesmo tempo. Alguns sugeriram que a moça processasse a rede social pelo que ocorreu com a filha.  Fiquei feliz de ver que ela foi sensata.
O facebook é claro: para criar um perfil na rede social a criança deve ter idade igual ou superior aos treze anos. Os pais da criança que mente a idade para criar a conta são passíveis de punição.
Eu concordo que as ruas, hoje em dia, estão perigosas, mas o ciber universo também está, e é uma tremenda ilusão pensar que as crianças estão seguras dentro de casa, enquanto navegam na internet. Não deixaria um filho meu participar da rede social, nem de outras. Penso eu que seria uma tremenda injustiça com ele privá-lo da infância e da inocência ao expô-lo em um mundo que nem adultos sabem se comportar. Criança precisa brincar, precisa correr na rua, jogar bola, soltar pipa. Fazer amigos face a face... pode até jogar um vídeo game, usar a internet, mas não como premissa, não com a intensão de mantê-los em casa e, sempre, sempre com a supervisão de um adulto, pois esse mundo está, cada vez menos, auspicioso.
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O Clone de Cristo - J R Lankford

O Clone de Cristo - J R Lankford
Um microbiologista viaja até o Vaticano e tem a chance, única chance, de coletar alguns fios do Sudário, com o DNA de Cristo. A história tinha tudo pra ser um belo relato de ficção científica, pense: o tão esperado retorno de Messias... mas, apesar do livro chamar “O clone de Cristo” ele conta a história de Mary, uma empregada enxerida e bisbilhoteira que se mete nos negócios de Félix, o microbiologista, e conquista o direito de ser a mãe de aluguel do clone.

Se não bastasse a mulher chamar “Maria” ela era virgem, aos 34 anos, insegura, problemática e intrometida (onde foi que já vi isso antes). O autor forçou a barra e foi infeliz. Assim como foi infeliz em criar Sam Duffy, o galã mafioso que tinha por disfarce a profissão de porteiro, tinha todas as garotas aos seus pés e ganhava muito dinheiro trabalhando paro o senhor (como é mesmo o nome dele?) do décimo segundo andar. Só que Sam é apaixonado por Mary, que até então a única qualidade era ser uma Cristã fútil que gastava todo o seu dinheiro em um chapéu para exibir na igreja, e larga tudo, o emprego, as garotas e o crime, para viver ao lado da virgem Maria, que faz “cu doce” até o último instante.

A história e suas oito páginas relatando o fato de Mary sentir um desejo repentino por azeitonas é chata, forçada e sem embasamento. O relato científico da criação do clone foi a parte mais interessante, embora, que Dolly o diga, sem nenhum fundamento. E a motivação do doutor também não foi nada convincente. Imagine se todos os judeus italianos que perderam os pais na guerra fosse clonar alguém? 

Na história também há France, outra songa-monga, porém patricinha, que não concorda com a história, mesmo assim apoia o irmão e a empregada em tudo. France é a típica coadjuvante sem sentido que não faria falta alguma se não existisse. Ela não faz nada relevante, não significa nada, além de ser aquela pessoa que, a cada cinco minutos, diz “eu te avisei”. E também há o Jeremy, o jornalista psicopata que, desde que encontrou Félix no aeroporto, faz de tudo para descobrir que ele está clonando o próprio Cristo. Vaza isso na internet e causa o movimento das azeitonas (que original) em favor da clonagem messiânica.

Pausa para um parêntese, como uma pessoa que se diz Cristã, segue as regras do protestantismo e do catolicismo, pode concordar com a ideia da vinda de Cristo ser através de um clone? É o desespero causado pela religiosidade ou somente um fanatismo que, não importa os meios, desde que consiga a chance de ser inconveniente... fecha parêntese.

Durante os nove meses da gravidez de Mary (que nos faz levar quase nove meses de leitura) a história se arrasta pela tentativa de Félix de a proteger, de Sam de a conquistar e dela mesma ser uma pessoa rebelde. Que acha o movimento fascista pró clonagem de Jesus lindo e começa a apoiar a causa, fazendo tudo que Félix e Sam pedem para não fazer. Até colocar a vida de todos eles em risco.

A história foi escrita por J. R. Lankford, uma escritora norte americana que gosta de escrever sobre Jesus e publicada pela editora Saída de Emergência. Apesar as 384 páginas, o livro não termina, deixa grande e irritante (essa é a palavra que define essa história) ponto de interrogação no final, talvez para gerar um marketing apelativo do segundo livro.  O tema é interessante e poderia ter dado uma boa história, mas quem pretende ler algo sobre ‘O Clone’ de Cristo, procure em outro lugar, o livro deveria chamar, no mínimo, ‘A mãe do clone de Cristo’. A sensação que tive, lendo-o, é que comprei um livro e veio outro - Não recomendo.
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Os assassinos do cartão postal- James Patterson

Os assassinos do cartão postal- James Patterson
Faz alguns meses que terminei a leitura desse livro, que, acima de tudo, me chamou a atenção por ter como cenário principal a cidade de Estocolmo, na Suécia. Existe lugar mais lindo?
Apesar de famoso, eu nunca havia lido um romance de James Patterson. Li várias críticas e o conceito sobre o autor é bem diversificado. Romancista policial com histórias envolventes, basicamente, é como ele é visto no meio literário. E acrescento umas doses extras de “envolvente” por minha conta.
Poucas histórias já desmantelam os culpados logo de cara. Essa é uma delas. Já no primeiro capítulo sabemos quem é quem e o que eles fazem e a trama se desenrola na  tentativa de um detive particular de pegá-los. A narrativa é excelente, capítulos curtos e precisos, com algo acontecendo o tempo todo. Nada de romances melosos, nada de fatos mágicos do além, somente um contexto envolvido em um enredo contínuo e detalhes que dão um sentido cômico ao texto. Como a motivação do Jacob Kanon que, após ter a filha assassinada em uma viagem, passa a perseguir os vilões por diversos países da Europa, mesmo infligindo a jurisprudência e desafiando as autoridades locais.
Os assassinos matam por pura “arte” e enviam sempre um cartão à um jornalista da cidade, isso porque gostam do envolvimento da mídia, do jogo de esconder e da adrenalina de chegar tão perto e não ser pego. Em Estocolmo, Dessie Larsson é escolhida e passa a fazer parte, ativamente, das investigações. Como não se apaixonar por essa mocinha?
O autor é direto. Não sei em outros livros mas a característica de escrever somente o indispensável para envolver o leitor, levá-lo até a cena sem ter que descrever o desenho da cortina do banheiro do segundo andar.
Os personagens são cativantes,  envolve  o leitor com seu jeito direto de fazer as coisas, sejam os vilões, sejam os mocinhos.
A experiência de ler James Patterson foi aprovadíssima e outros livros do autor já entraram para minha lista. Vale muito a pena conferir essa leitura.

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Sobre a tecnologia, crise nacional e remédios para depressão

A era da Tecnologia
Créditos da imagem: http://ghiraldelli.pro.br
São dias difíceis...

Eu me pergunto se sou eu que estou sensível de mais ou se estou vivendo em um mundo que, realmente, está de ponta cabeça. As coisas simplesmente perderam o sentido e os valores virando um misto de aquiescência e desprezo pelos princípios que outrora faziam parte de nossa condição de humanos. Já disse que a era da tecnologia tem nos consumido como um parasita, mas, cada dia, a verocidade dessa entrega me surpreende mais, como se estivéssemos em um transe daqueles dos filmes de ficção científica.  

Falando em filmes (e em ficção científica), o primeiro semestre deste ano foi surpreendente no quesito de cinema em que, entre outros títulos, destacaram: A Teoria de Tudo, O Jogo da Imitação, Velozes e Furiosos 7, Mad Max, Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível, Jurassic World e Os Vingadores: A Era de Ultron. Cada um com suas particularidades e surpresas que deixaram esse mundo paralelo mais insano do que nunca. O que não ficou nada interessante para os brasileiros foi o impacto da inflação para quem curte um bom filme acompanhado daquela pipoquinha e um copão gigante de refri. Em média, comparado com o ano de 2014, uma voltinha pelo cinema ficou 52% mais caro neste ano, o que faz com que muitos prefiram formas alternativas para apreciar essa arte. E, como o segundo semestre das telonas está igualmente envolvente, é bom já ir engordando o porquinho para não ficar de fora.

Na verdade não foi só o cinema que ficou mais caro, o país vem enfrentando uma das mais impactantes recessões econômicas da história, somadas à corrupção e à falta de oportunidades, a inflação está dilacerando a população brasileira de forma costumaz e irreversível. Será preciso muito jogo de cintura para passar por essa turbulência e, não importa de qual classe ou qual posição seja, está respingando as consequências em todo mundo. É claro, em uns mais que em outros. Em meio a tantos questionamentos sobre a política atual, surpreende-me ainda mais a inversão de valores.  A população está aceitando (e calada) as notícias infames que nos é empurrada goela abaixo para disfarçar, em uma maquiagem borrada, o assalto do governo à nação. A falta de informação e o desinteresse são os principais aliados dos nossos algozes.

O mais engraçado (na verdade não é nada engraçado) é que estamos na era da informação e da tecnologia. Ao invés de se buscar meios úteis para enfrentar e vencer essa situação, de alguma forma, o brasileiro prefere perder seu tempo (e seu precioso dinheiro) se alimentando de farsas e falácias. Alimentando o ego em uma solidariedade utópica e sem fundamentos. Ninguém questiona mais se um fato é verdade, ninguém percebe mais a falta de lógica dos jogos de marketing psicológico que nos sãos empurrados todos os dias. Ninguém pensa... só ficam curtindo e compartilhando o mesmo lixo, o tempo todo, por facebook, por whatsapp ou por que quer que seja. Se as pessoas não fossem tão superficiais, talvez não seríamos tão facilmente enganados.

Um exemplo do que digo é a necessidade que se tem de se exibir, de ser aprovado e de estar “por dentro” que se percebe o tempo todo. Que o mal do século é a ansiedade todo mundo já sabe, mas, ao invés de controlar isso e procurar ajuda, ser ansioso, depressivo e mentalmente doente virou modinha. É claro que não se trata de uma generalização, no entanto recentemente presenciei uma adolescente na farmácia perguntando para a atendente o que ela precisava para comprar remédios tarja preta e, o que ainda estou me decidindo se é ou não pior, a senhora respondeu que “você precisa de um médico que ‘tope’ te dar a receita” ... sim, nesses termos, nesse linguajar... Será que a senhora não pensou que aquela mocinha poderia fazer mal a si mesma? Será que aquela menina não sabe que medicação não é válvula de escape para a vida “cruel” que ela possa estar tendo aos quinze anos? Eu a mandaria comprar um livro de colorir, já que esta também é a onda do momento. Mas o que me fez realmente pensar sobre o assunto foi onde estariam os pais dessa jovem. Porque uma menina estaria procurando “fugir” sozinha e, do que ela estaria fugindo...

As pessoas estão lidando com essas situações, cada vez mais frequentes entre os jovens, de forma muito intangível. É isso o que mais me indigna. A doença alheia, os sentimentos alheios não podem virar pretexto para motins e, muito menos, ponte para querer crescer e lucrar sobre isso. Alguns me criticam por meu ceticismo na humanidade, me veem como alguém sem esperança, mas sinceramente eu estou tentando mostrar que, enquanto a maioria está apoiando vídeos montados de crianças sendo aliciadas nas ruas, manchetes sensacionalistas acompanhadas de imagens chocantes de pessoas ou animais em apuros, campanhas de tatuagens em massa, a mídia tem ganhado força e complacência movimentando milhões com base em mentiras. Tudo isso por preguiça, por indisciplina e, principalmente, por querer estar no meio de uma polaridade.

No mais, quando assisti “De volta para o futuro 2” não era bem esta “era da tecnologia” que eu esperava....

Sobre a tecnologia, crise nacional  e remédios para depressão
Créditos da Imagem: http://ghiraldelli.pro.br

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E Se Vão Cinco Anos...

Eu coloquei uma daquelas canções que tem o som da sua voz e o hoje o dia amanheceu tão cinza, como se cada segundo tivesse a única função de me lembrar você. Fecho os olhos e me pergunto, aonde está você agora? 
São cinco anos! Nem parece tanto tempo quando  penso em seu sorriso ou procuro seu olhar nas estrelas. Mas quando a saudade arde no peito parece que há uma eternidade que não tenho você aqui. Tem dias que me vejo esperando você voltar pra mim, como se todo esse tempo fosse apenas uma pausa na realidade e tudo não passasse de um sonho, um sonho ruim do qual desejo acordar todos os dias. 
São cinco anos e eu ainda não me acostumei com sua ausência. Todos os dias eu olho no espelho seu nome gravado em minha pele, pedindo para que a saudade se cale dentro do peito e silencie a falta que você me faz.
Eu me lembro de você quando escuto uma música nova e sei que ia gostar. Me lembro quando as antigas canções tem o som da sua voz. Eu fico imaginando o que você diria daquele novo filme ou se eu conseguiria fazer você ler meu novo livro favorito. Eu me lembro de você quando o mundo está em silêncio, quando não há flores nos jardins, ou quando é primavera. Nos dias frios o teu perfume está na brisa e nos dias quentes, seu olhar está em cada esquina. E eu te procuro... te procuro em cada momento para aplacar o desespero que bate as vezes, ou quase sempre, por não ter você.
As fotografias que restaram não satisfazem mais a ânsia por te ver, por um minuto ou por uma vida. As vezes é quase impossível continuar nessa estrada sempre sombria que não me leva a lugar nenhum.
São cinco anos sem você, meu anjo, e não houve um só dia em que eu não trocaria todos os tons, todas as notas, todos os sons, todas as cores, daria todo o silêncio e todas as canções por mais um minuto do seu sorriso.


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Haggard - uma combinação perfeita de música clássica com metal

Desde a época de Richard Blackmore, lá pelos anos quarenta, que o rock e a música clássica vem caminhando juntos de uma forma que surpreende até os menos adeptos ao estilo. Bandas como Deep Purple, Scorpions e Metallica, conhecidas no Brasil, arriscaram, com honra, essa miscegenasção, apesar que, com algum tempo, os fãs começaram a ver esse jogo de tons e sinfonias com rótulos e o "neo classico" tornou-se algo repetitivo. 

Várias outras bandas arriscaram, em sua jornada, gravar um ou outro disco acompanhados de uma orchestra, mas poucas bandas faziam disso seu estilo, temendo a não aceitação imediata dos fãs.

É obvio que surgiram grupos que enlevaram o estilo, conhecido então como neo classico ou rock sinfônico, porém foi somente em 1991 que um grupo alemão lançou alguns singles nas rádios locais que chamaram de "Introduction", com uma sonoridade sinfônica contrastrando com um rock extremo e, mais tarde, em 1995, introduzindo elementos folk às suas músicas.

Haggard foi lançada ao público oficialmente em 1994, com o EP "Progressive", quebrando alguns paradigmas e conquistando seu espaço. Nesse momento a banda continha dezenove membros liderados por Asis Nasseri arriscavam além de simples harmonias com instrumentos clássicos, mas combinaram Monteverdi e Mozart com um som eletrizante das guitarras de Tony Lommi. O resultado não podia ser outro, um envolvente e marcante estilo que ganhou o mundo no ano do milênio com o seu segundo album, Awaking the Centuries, que, no ano de seu lançamento foi listado como um dos melhores álbuns do ano.

Antes deste, em 1997, Haggard havia lançado o disco "And Thou Shalt Trust... The Seer", que ficou mundialmente conhecido em 2008, no ato de seu re-lançamento.

Voltando ao álbum Awaking the Centuries, a banda experimenta não só a mistura do medieval com o metal, mas todas as doze faixas contidas no disco retrata a vida de Nostradamus e suas experiências durante a época da peste negra. 

Em 2004, bem além de um simples disco, Nasseri realiza um sonho de cantar a história de Galileu Galilei. O resultado não poderia ser outro, o disco ficou meses no auge dos mais aclamados pelo mundo afora. Nessa ocasião a banda contava com dezessete integrantes, dos quais destacam-se os vocais, então quatro cantores que variam do épico ao gutural, explorando essa variabilidade com uma inteligência e sintonia impressionantes em, pelo menos, quatro idiomas (latim, italiano, inglês e alemão). O nome do álbum, "entretanto se move" foi a última frase dita por Galileu após negar a sua teoria heliocentrista e escapar da condenação de morrer na fogueira.

e, por fim, em 2008, com nada menos que vinte músicos e nove convidados, é lançado o álbum Tales Of Ithiria que, ao contrário dos outros que narram uma história de um personagem real, este privilegia um mundo ficticio com personagens que se alimentam de lembrança de entes queridos. As composições são, fortemente, eruditas, com poucos arranjos de metal envoltos em um mar de violinos e violoncelos, além do vocal lírico, mais potentes do que nunca.

Em 2012 a banda embarcou em uma turnê pelo mundo, apresentando o disco "Grimm", que na verdade foi uma remasterização dos maiores sucessos, apresentando, inclusive, em São Paulo. Mas, infelizmente, não há previsão de volta nas terras latinas, já que a banda está empenhada em uma mega turnê pelos palácios da Europa.


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Sobre o tempo, política e pensamentos esquisitos...

Sobre o tempo, política e pensamentos esquisitos...
Eu sei que até meus leitores fieis já não me seguem mais, faz algum tempo que deixei esse hábito de escrever e meu blog tem ficado às moscas. O que ocorre é que tenho me dedicado à outras tarefas, quem é blogueiro sabe que não é fácil ter sempre um assunto para falar sem que isso seja monótomo e repetitivo, ainda mais na correria do dia a dia. 
Eu sinto falta desse espaço, sinto falta do carinho e da companhia que encontrava com as pessoas daqui, de trocar informações e criar uma rede de amigos com pensamentos, embora distintos, embasados. Mas, realmente, está difícil manter um ritmo. 
Já percebestes que estamos no final de setembro? Aquele clima (chato) de finais de ano já ameaça a aparecer, com os comerciantes em estado de êxtase e as pessoas com um "quê" de solidariedade fajunto e insuportável. Nunca gostei de finais de anos, é deprimente. 
Pra ajudar a complementar esse clima alucinante, em dez dias temos aí o maior evento (ou, pelo menos deveria ser) democrático do país. As vezes eu paro e fico observando esse espetáculo, claro, sem fazer parte dele. Essa guerra política estrondosa e baseada em muita falácia e pouca atitude. Este ano elegeremos presidente, governador, senador, deputados... mas são poucas as pessoas que sabem a real importância disso. O cidadão brasileiro está tão cansado dessa besteira toda de política que escolhem seus candidatos ao léu, com a pouca informação que circula e as cores dos panfletos mais bonitos. (Ou pelos que pagam mais). Essa campanha está muito suja e infundamentada, o mínimo que sabemos não é suficiente para decidir nas mãos de quem colocar o país. Ainda tem as questões dos favores políticos, dos ministros, secretários e toda a corja que no fim, só mudam de lugar, mas permanecem no poder. É irritante ser obrigado a contribuir com esse circo todo e continuar alimentando os palhaços. Nenhuma das propostas que li me convenceu o suficiente para acreditar em uma mudança, escolhi meus candidatos levando em conta o que é "menos pior" e não o que seria melhor e, para um país  que já teve força para derrubar o militarismo, é vergonhoso ver toda nação definhada nas mãos de pessoas incompetentes e desonestas. Eu fico pensando do que valeu toda aquela "marmota" de manifestações que houve no ano passado, se no fundo basta dar um pirulito e um chocalho pra todo mundo voltar pra casa.
Ainda nesse clima, mas mudando de assunto, até quando a sociedade brasileira vai se permitir ao regresso constante de cultura? Hoje eu assisti um vídeo em que dois grupos de funk se enfrentavam no programa (idiota) do Celso Portiolli, Passa ou Repassa. Fiquei boquiaberta com a capacidade daqueles adolescentes serem tão estúpidos. Sim, estúpidos no sentido literal da palavra. A incapacidade de saber respostas simples como adições matemáticas, ou plural de palavras. Isso me deixa irritada. Como pode uma pessoa desse nível ser considerada "artista" nesse país e, pior, influenciar uma massa? Apesar de amar minha pátria, essa inversão de valores, tanto na política, na educação, na cultura, na mente das pessoas, me faz ter uma imensa vontade de sair fora daqui e ir morar em um lugar onde as pessoas não se vendem tão fácil. A grama do vizinho me parece, mesmo, mais verde, sempre. 
Acho que o que mais tenho sentido falta é de um tempo para pegar um livro, sentar sob uma árvore qualquer e ler. Poder adentrar em um mundo paralelo que pertença apenas ao autor e a mim, sentir aquela sintonia, quase mágica, no virar das páginas, sem me preocupar com o tempo, com o que está havendo ou com o que preciso fazer... o tempo passa e a vida me rouba as coisas boas, os hobbys, aquelas pequenas coisas que fazem toda diferença no dia a dia. Viver está ficando complicado (ou sou apenas eu que ando ficando velha, mas isso é outra história).
Eu fico observando, principalmente no Facebook, os milhões de mensagens que pipocam o tempo todo, motivando, fazendo lembrar das pessoas, das coisas que existem além da tela do computador, mas nem mesmo quem fica postando isso todo dia vive essa realidade, tudo virou uma utopia tão grande, uma necessidade de se expor que chega a dar medo, quem não acompanha passa a estar fora da correnteza, que, no fundo, não leva a lugar nenhum. Vejo as pessoas se esquecendo como se vivem, o excesso de informação e a rapidez com que elas chegam até nós está nos deixando loucos... somos uma geração perdida, de pessoas doentes e histórias mal contadas.
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Piano Bar - Engenheiros do Hawaií ou somente um dia de agosto!

Você lembra? eu quis perguntar! 
Será que essa ainda seria sua música preferida? Será que ainda conseguiríamos discutir sobre essa, e outras, com tanta propriedade, como se nos pertencesse? 
Hoje ainda é agosto, e ainda há flores nos ipês... mas a brisa perdeu seu cheiro e os jardins não tem mais suas cores.
Há tanta coisa que eu teria pra falar... mas não lhe escrevo mais. Tentar não é assim tão fácil... não em um fim de agosto, quando as flores dos ipês exalam seu perfume. 
Eu ainda não perdoei a vida por me tirar você, e o tempo não vai apagar as lembranças que te mantem vivo. Mas, porque eu sinto que estou te perdendo... de novo! 


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Ink - Coldplay

Fiz uma tatuagem que diz, "Juntos através da vida"
Esculpi seu nome com o meu canivete
E me pergunto se quando acordar vai ficar tudo bem
Parece que há alguma coisa quebrada por dentro

Tudo o que sei, tudo que eu sei
É que fico perdido sempre que você vai
Tudo o que sei é que eu te amo tanto
Tanto que dói

Tenho uma tatuagem e as dores
Só queria uma maneira de mantê-la perto
Oh, oh, oh, oh, oh, oh

Tudo o que sei, tudo que eu sei
É que eu estou perdido sem você

Tudo o que sei
É que eu te amo tanto
Tanto que dói

Eu vejo que a estrada começa a subir
Vejo que suas estrelas começam a brilhar
Eu vejo suas cores e eu estou morrendo de sede

Tudo o que sei é que te amo tanto
Tanto que dói
Oh yeah, yeah, yeh
Tanto que dói


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Big Data - Porque o profissional de TI deve se interessar.

Big Data - O que é isso?
Lidar com grandes fluxos de informação pode ser um desafio alarmante e, com a crescente atividade na era virtual o fluxo de dados trafegados pela net, no triênio 2012-2015 tende a crescer 296%, e percebemos que isso está realmente ocorrendo. A internet tornou-se a principal fonte de comunicação e informação espalhando bilhões de bits por nanosegundos nos quatro cantos do globo. A questão é como gerenciar, armazenar e tornar toda essa informação disponível? 

Segundo o site da IBM "o Big Data é um termo utilizado para descrever grandes volumes de dados que ganha cada vez mais relevância a medida que a sociedade se depara com o aumento sem precedentes no número de informação geradas a cada dia. As dificuldades em armazenar, analisar e utilizar grandes conjuntos de dados tem sido um considerável gargalo para as companhias." 

Rodrigo Arrigoni, especialista nessa tecnologia, diz, em uma entrevista para a RevistaW, que um dos primeiros exemplos práticos do Big Data é o Projeto Genoma (um estudo realizado por diversos países com intuito de desvendar o código genético - animal, vegetal, fungos, bactérias, vírus e humano - iniciado na década de 80), porém em 2003, quando a percepção de que o volume de informações dobravam de valor muito rápido, que esse termo foi difundo. 

Se voltarmos a década de 90, quando a Nasa colocou em questão o tema do Big Data, havia uma proporção de 1 computador para milhares de pessoas, hoje, numa inversão direta dessa curva, há vários equipamentos disponíveis para uma só pessoa. "Pense no que tem de computação no carro ou no celular, e então você realmente verá que o mundo só gera informação." (Rodrigo Arrigoni)

Nesse contexto, as grandes empresas chegaram à sutil conclusão de que "informação é poder". Se, de um lado as tecnologias multiplicaram o volume de informação gerado, por outro lado as companhias se empenhavam em descobrir como lidar com todos esses dados gerando um conteúdo útil à tomada de decisões e encaminhamento de estratégias viáveis ao negócio. Esse interesse provocou a procura por especialistas em análise de dados e ainda movimentou ainda mais o mercado para adaptações que permitissem a implantação do Big Data. A Gartner estima que, pelo menos, quatro milhões de vagas diretas em Big Data serão abertas nos próximos três anos, provocando também o aquecimento do mercado de forma indireta. Além de altos conhecimentos em computação e programação, o profissional nessa área deverá ter habilidade com números e probabilidades, analisar dados com precisão, nessa imensidão chamada internet, não é mais tarefa simples.

Para esclarecer a abrangência do Big Data, a Infowester publicou um artigo resumindo o assunto em aspectos que conseguem descrever satisfatoriamente a base do conceito: os cincos 'Vs' - volume, velocidade e variedade, com os fatores veracidade e valor aparecendo posteriormente. O aspecto volume trata da quantidade de dados gerados necessitando soluções de armazenamento contínuo; velocidade define a rapidez com que os dados precisam ser acessados, permanecendo disponíveis; variedade apresenta a diversidade dessa informação que precisa ser tratada como parte de um todo; veracidade determina que os dados obtidos e "cruzados" precisam ser confiáveis para gerar informações precisas e, por fim, valor agrega o benefício significativo que compense os investimentos.

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Fonte: IBM
Em nosso país, a maturidade do Big Data ainda é baixa. A principal dificuldade para o projeto decolar, segundo uma pesquisa da Gartner realizada em São Paulo em maio deste ano, advém do levantamento real do valor que a iniciativa agrega ao negócio, da falta de estratégia e da escassez de talentos especializados, sendo estes os três maiores desafios que as instituições enfrentam para as implementações.

Ian Bertram, vice-presidente de pesquisas da Gartner, afirma que o assunto gera entusiasmo, principalmente nos executivos de áreas de negócios, quando o assunto é dar inteligência aos dados, no entanto, excitação e medo geram conflitos, tornando as adoções mais lentas. “A estratégia para Big Data ainda está muito ausente nas empresas porque elas não sabem onde aplicar o Big Data”, acredita Rom Linhares, que lidera esse assunto na HP Brasil. O executivo diz ainda que as empresas precisam integrar as áreas de negócio e TI e assim conseguirão aclarar como a organização pode se beneficiar do uso de dados analíticos. 

Pesquisas globais do Gartner, realizadas em 2012, revelam que 58% das organizações entrevistadas disseram que investiram em algum tipo de solução para análise de dados. Em 2013, esse número subiu para 64%, ou seja, 2/3 das companhias abordadas compraram alguma ferramenta para tratar dados.

Finalmente, com a multiplicidade de dados em alta velocidade aumenta o debate sobre a possibilidade de surgir uma espécie de "poluição informacional". Segundo Arrigoni, é importante acabar com o desperdício de informações criando soluções on e off-line para processar tudo isso sem congestionar a web de forma que não se atenha apenas às mudanças do cenário de TI, mas também nos processos de negócios, viabilizando a extração de valor e geração de vantagem competitiva para as empresas envolvidas.
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O que estão fazendo com meu Brasil?

O que estão fazendo com meu Brasil?
Eu comecei a pensar neste texto com lágrimas nos olhos, enquanto o asfalto corria embaixo das minhas rodas, já rolava aquele velho som pelos fones, alto, consumindo o pensamento na imensidão do tempo. E por falar em tempo, de repente eu acordei e vi que pouco mais de dez anos ficaram para trás... mudaram-se as cores e os tons, cessaram-se as melodias, calou-se o vento e a virtude enquanto uma massa desordenada, pouco a pouco, ou nem tão lentamente, tomou conta da sociedade.
Passam-se os anos e qual diferença temos feito?
Há algumas horas conversava com uma amiga sobre a “regressão” do nosso país, falávamos de política e eu afirmei que não vejo que estamos regredindo. Mas pensando bem, estou enganada... não só estamos regredindo como perdemos toda nossa história pelo caminho. Política e culturalmente nos encapsulamos cada vez mais em um mundo inexistente, alheios à realidade demente que apoiamos.
Há alguns anos atrás podíamos dizer que éramos um país livre. Digo no sentido de liberdade filosófica. Apesar de termos passado por muitos, e escusos, problemas políticos e econômicos, éramos um povo, com nossa cultura, liberdade e luta. Já fizemos história. Já lutamos, saímos às ruas com rostos pintados e panelas na mão a reivindicar nossos direitos. E fizemos a diferença. Tínhamos um foco. O Brasil dos nossos pais era mais lindo.
Hoje as manifestações não passam de motins, vandalismo e baderna. As pessoas saem as ruas para saírem nas fotos de páginas, cada vez mais idiotas, do facebook. A maioria sequer sabem porque estão lá. Lutam sem ideais e, por isso, abandonam suas lutas no meio do caminho.
Este texto não é propagada política, até porque não tenho motivos para fazê-la. Mas, contradizendo a mim mesma, afirmo que nunca estivemos em uma situação tão decadente como agora. Um tsunami de corrupção destroça o país inteiro enquanto sua maioria são explorada. Sim explorada em suas fraquezas tornando-as reféns de seus algozes. As pessoas são escravizadas em suas mentes, manipuladas por não saberem que as algemas que os prendem são invisíveis. Nunca, em nenhuma época da história do Brasil pagamos tantos impostos, tivemos nosso suor tão desvalorizado e tão pouco retorno imediato e visível por parte de nossos governantes. A democracia que construímos está manchada de desonra a ponto de não termos mais como escolher quem nos represente.
Nos enfiam todo lixo garganta abaixo enquanto uma pequena massa vai dominando a sociedade. Voltamos, mas àquela condição de escravos. Eu me lembro quando os pais e mães de crianças as obrigavam ir para escola. Me lembro quando notas ruins significavam castigo. E me lembro quando podíamos ficar até tarde pelas ruas, jogando bola, brincando... valorizávamos nossos amigos, mantínhamos relações baseadas no respeito e na harmonia. A quantidade de curtidas em uma foto não significava popularidade nem padrões... éramos pessoas sadias. Nunca se ouviu falar tanto em depressão e doenças correlatas como agora, na era da informação. Estamos nos tornando pessoas vazias e ninguém parece perceber.
Me lembro quando a música era sinônimo de cultura, quando se cantavam poesias nas bocas dos jovens e não “isso” que existe hoje, difamando nossas meninas e tornando nossos meninos apenas mais um viciado. Antigamente, não era moda ser uma “pessoa do mal”. Era feio!
Ninguém vê, mas a corrupção é responsável por nossa quebra de valores. A mídia manipuladora com suas novelas modernas e conceitos sórdidos. A informação deturpada para favorecer este ou aquele nos jornais, revistas e por qualquer parte. Mentir é fácil demais...
Não adianta parar o trânsito e gritar basta para no dia seguinte dizer “sim senhor” às mesmas pessoas que nos maltratam, para chegar em casa e aplaudir os disparates da televisão ou postar mentiras no facebook. Será que ninguém percebe que estamos morrendo? Nossa literatura já morreu, nossa música foi sepultada junto com nosso futebol. Morreram as palavras, acabou-se a crença, findou-se a dignidade, a liberdade, o sonho... será que ninguém percebe que estamos sucumbidos pelo desespero e entregamos nossos direitos a uma classe hedionda? Não resta mais nada... e se não houver consciência em cada um, vamos afogar em nossos lamentos.

O progresso pelo progresso é vergonhoso!
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